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Esperança no útero

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Exames mais eficazes e tratamentos de ponta ajudam a prevenir problemas na criança quando ela ainda está no ventre da mãe

De 3% a 4% das crianças nascem com algum tipo de defeito – chamado congênito porque foi adquirido por hereditariedade ou durante a gravidez – devido a doenças contraídas pela gestante. A estatística inclui desde doenças sérias, como anencefalia (ausência de cérebro), até pequenos distúrbios que podem ser corrigidos logo após o nascimento, como membranas nos dedos das mãos. Rastreadas durante o pré-natal, as causas dessas malformações são diversas: fatores ambientais (produtos químicos, cigarro, álcool e radiações), genéticos ou carências nutricionais. Também são fatores de risco a idade materna avançada (a qualidade dos óvulos fica prejudicada), casos de outros filhos malformados, a existência de parentes próximos com deficiência mental ou física e mães que usam constantemente medicamentos contra epilepsia, diabete e hipertensão, entre outros.

A prevenção de problemas no feto deve ser muito anterior à gravidez. O primeiro passo é realizar os chamados exames pré-nupciais. Poucos se lembram desse cuidado. Além de detectar males como AIDS, eles servem para descobrir doenças como a hemofilia e a síndrome de Down. Se forem encontradas enfermidades, o ideal é conversar com um geneticista antes de engravidar, para avaliar riscos e alternativas.

Nos casos em que algum problema no bebê é diagnosticado no útero, os pais têm a opção de recorrer à medicina fetal, que estuda tratamentos para os males que podem afetar o bebê em sua vida intra-uterina. O ultrassom é o equipamento mais usado nas investigações. Entre a 11ª e a 13ª semanas, por exemplo, pode ser feita a translucência nucal, que analisa uma pequena área escura localizada na nuca do feto. Se o ultrassom apontar que a espessura desse ponto é maior que 2,4 milímetros, suspeita-se de síndrome de Down. A partir daí, a gestante deve fazer a amniocentese – exame do líquido amniótico. Pai e mãe devem concordar com o procedimento, já que o risco de complicações chega a 1%. Se o marido apóia a mulher, ela se sente mais segura para fazer o exame.

A tecnologia consegue intervir em alguns casos. Distúrbios como obstrução urinária (fechado, o canal da uretra impede a liberação de urina) já têm solução. Por meio de uma sonda, introduzida no útero, os médicos tratam o problema, que impede o crescimento do feto. Por isso, é importante seguir à risca as orientações médicas e realizar os exames solicitados. Também quando se trata de bebês ainda no útero, a medicina já é capaz de levantar problemas e, melhor ainda, apontar soluções.


Dr. Antonio Fernandes Moron

  • Ginecologista e Obstetra;
  • Mestre e Doutor em Medicina pela UNIFESP;
    Pós-doutorado em medicina fetal pela University of Wisconsin Medical School - USA;
  • Professor Livre Docente pela Faculdade de Saúde Pública da USP;
  • Professor Titular do Departamento de Obstetrícia da UNIFESP;
  • Chefe do Departamento de Obstetrícia da UNIFESP;
  • Diretor do Departamento de Medicina Fetal do Complexo Hospitalar Santa Joana e Pró-Matre;
  • Diretor Clínico do Centro Paulista de Medicina Fetal;

Rua Acre, 12, Sala 216 - Vieiralves+55 92 3632-0356Rodrigo Santiago