Consolidando a interação interdisciplinar, expomos artigos de grande interesse escritos por colegas de várias especialidades.
Quando se trata de coração, não é melhor prevenir?
Quando esperamos o nascimento de um filho, queremos que esse seja um grande evento. Todos se preparam para receber com muita alegria a nova vida que irá alegrar e trazer novo fôlego a toda família. Avô, avó, tia, tio, primos, todos estão na expectativa de como será o rostinho, se terá olhos castanhos, se vai puxar o cabelo da avó...
Então, acontece uma tragédia! Ele tem um defeito... ???
Mas como? Mas por que? Foi culpa minha? O que vai acontecer???
É o coração! Coitado, será que vai sobreviver?
Depois que a tecnologia chegou às nossas portas, não temos mais a paciência, como nossos avós, de esperar o bebê nascer para descobrirmos o sexo. Agora, a última novidade, temos a foto do rosto do bebê no ultrasson 3D e 4D. Então porque não prevenir?
As anomalias congênitas constituem a segunda maior causa de morte de crianças com menos de um ano de vida. Acometem cerce de 3% dos nascidos vivos, sendo cerca 40% anomalias cardiovasculares. O ecocardiograma fetal é um exame que veio somar ao ultrasson morfológico, uma maior chance de diagnosticar defeitos congênitos intra útero. Ele pode ser feito após a 18 semana de gestação. Mas tem maior sensibilidade entre 24 a 29 semana de gestação. A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda que todas as gestantes façam esse exame. E é obrigatório para gestantes com Diabetes, infecções virais, como rubéola; aquelas que tiveram alterações na ultrassonografia morfológica; gestantes que utilizam medicações controladas, como uso do Lítio; que utilizam exageradamente
anti-inflamatórios e descongestionantes nasais; e que possuem doenças congênitas, ou que tem filhos com defeitos cardíacos.
As doenças cardíacas acontecem 1% dos nascidos vivos. Se fizermos uma conta rápida, no estado do Amazonas nascem cerca de 800 crianças com cardiopatias todo ano. É muito, não? Sim. O 1% se torna um número alto, e que ninguém quer seja com seu filho. E o que acontece com eles? Vão ter alguma chance de viver? Cerca de um terço dessas crianças vão necessitar de cirurgia cardíaca nos primeiros meses de vida para sobreviver. E muitos deles terão que operar no primeiro mês. As estatísticas nos mostram que a sobrevida de um bebê a uma cirurgia cardíaca aumenta em dez vezes, se tivermos uma criança saudável, sem infecções ou doenças em outros órgões, como o pulmão por exemplo. E isso fatalmente vai acontecer nas crianças que necessitam operar no primeiro mês. Devido o defeito cardíaco, elas terão maiores chances de adquirirem infecções e doenças pulmonares. E se é nessa condição que se dá o diagnóstico, então teremos uma criança grave e com chances reduzidas para sobreviver.
O ecocardiograma fetal vem para antecipar esse diagnóstico. Através desse exame, podemos diagnosticar mais de 95% das doenças cardíacas. E com o diagnóstico, podemos antecipar o tratamento a ser instituído imediatamente após o nascimento, aumentando a sua sobrevida.
Antigamente se esperava para saber o sexo, como seria o rosto, e não dávamos chance às crianças cardiopatas. Hoje essas crianças nascem, operam, possuem boa qualidade de vida, estudam, casam, e geram filhos e netos. Seguem o curso de suas vidas felizes. Portanto, se queremos um final feliz, precisamos utilizar toda a tecnologia disponível a nossa mão.
Prevenir sempre é o melhor remédio!
Dr. Ronaldo Castillo Camargo